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Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008

Rumo a Castelo Branco ?

O novo mapa dos cuidados de saúde primários apresentado pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), deixa o concelho de Mação de fora de cada um dos dois grandes agrupamentos de saúde previstos respectivamente para a Lezíria e para o Médio Tejo, no distrito de Santarém.
 
Visto isto, não parecem restar muitas dúvidas quanto ao facto do nosso município passar em breve a fazer parte de um agrupamento de saúde centrado num dos nossos concelhos vizinhos do distrito de Castelo Branco. Não surpreenderá portanto, que este futuro agrupamento de centros de saúde agregue os concelhos de Vila de Rei, Oleiros, Proença-a-Nova e Sertã, sendo possivelmente neste último que a sede desse agrupamento se localizará. Ou seja, Mação sai do distrito de Santarém para entrar no distrito de Castelo Branco !
 
Esta mudança, a concretizar-se, implicará uma alteração na relação dos utentes do actual Centro de Saúde de Mação com os serviços de saúde regionais. Porquanto, eventualmente, no que respeita a consultas de especialidade e ao serviço de urgências, os movimentos dos doentes passarão a fazer-se em sentido inverso àquele que presentemente acontece. Isto é, o itinerário Mação-Abrantes, poderá ser provavelmente substituído, a curto prazo, por deslocações em direcção à Sertã e, em casos mais urgentes, para o hospital distrital de Castelo Branco.
 
Esta reorganização do mapa dos serviços de saúde fará emergir facilmente o discurso de levantamento popular contra o Governo, com recurso a exemplos do género - « como é que agora um residente na freguesia de Penhascoso, Ortiga, Mação, Aboboreira ou Amêndoa se deslocará para a Sertã ou Castelo Branco, as novas centralidades da saúde ? ».
 
Na rua, na conversa de café, na tertúlia de amigos, a questão passa agora por saber como é que sem transportes públicos directos, sem estradas acessíveis ou sem carro próprio, se farão as deslocações e a que título, quando hospitais como o de Abrantes, Torres Novas ou Tomar estão ou parecem estar mais à mão de todos nós.
 
Não faltará, para rematar a discussão, a descarga no Governo e no Ministro da Saúde, cujo resultado da sua acção não será mais do que  acabar com o Interior, matar o desenvolvimento dos nossos concelhos e cavar ainda mais a nossa sepultura colectiva.
 
Pessoalmente sinto-me seduzido pela argumentação. Na situação actual, o acesso e a deslocação dos utentes aos serviços de saúde é mais fácil do que aquela que poderá vir a acontecer no quadro do novo mapa de saúde regional. Dito de outro modo, a questão da proximidade e da acessibilidade aos serviços de saúde é hoje mais fácil com Abrantes no nosso caminho do que será aquela tendo Castelo Branco por destino. Assim, para todos em geral, o acesso à saúde será mais oneroso em termos de tempo e dinheiro. Porém, esta factura será decisivamente ainda mais pesada para os cidadãos mais carenciados do nosso concelho.
 
Resta saber, e para esta pergunta não tenho elementos que me ajudem na resposta, se esta mudança trará, apesar dos custos inerentes, benefícios superiores para os utentes. Em razão de mais e melhores cuidados de saúde primários a prestar às populações. Claro que, se a análise de custos-benefícios for vantajosa para os benefícios, dir-se-á que o coração traiu a razão e perdemos o pé no nosso posicionamento público.
 
Admitamos que também no plano dos melhores cuidados de saúde primários não retiramos vantajem da alteração. Subsequentemente, dir-se-á que a nossa voz se junta ao coro de protestos.
 
Esta sintonia no protesto, ainda que genuína e sentida, arrasta todos aqueles que nesse mesmo protesto alinharem para um beco sem saída, para uma incoerência de argumentação que não mata, mas fere. Sobretudo politicamente.
 
Se condenamos agora publicamente a nossa passagem para a Sertã e para Castelo Branco no domínio da saúde, por que não o fizémos antes quando os serviços da segurança social passaram nos anos 90 do século passado para o mesmo distrito ? E porque não protestámos quando os serviços de educação que tutelam as nossas escolas mudaram para Castelo Branco e Coimbra? De igual forma porque não nos opusémos à integração na NUT II da Região Centro (sede em Coimbra) e a igual integração na NUT III com sede na Sertã (Pinhal Interior Sul) ? Porque mantemos ainda um pé no agrupamento de municípios do Médio Tejo, que nos custa 470 000 Euros no ano de 2008 e temos o resto do corpo no Pinhal Interior Sul ? Porque fomos no passado contra a regionalização que nos queria atirar para Sul (região Santarém e Leiria) e não para Norte e agora queremos ficar no Sul (distrito Santarém, entenda-se) a todo o custo ?
 
A verdade é que nos últimos 20 anos andaram a puxar-nos para Castelo Branco, e nós nunca nos opusémos. A resposta é simples : o dinheiro dos fundo comunitários. Agora, a concretizar-se a reorganização do mapa judiciário e do mapa da saúde poderemos dizer que a nossa integração no distrito de Castelo de Branco e na Região Centro, com sede em Coimbra é quase plena. Se assim é, encontrámos a coerência dos serviços desconcentrados da Administração Pública portuguesa. A regionalização está feita, e sem referendo ! Só nos falta mesmo é mudar de Governador Civil.
Mação está na rota do distrito de Castelo Branco. Quem nos atirou afinal para lá?
 

João Paulo Almeida

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Publicado por vozeslivresmacao às 04:05
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